O fim de semana “Luxemburgo + passeio de caiaque nos Ardennes” teria saído por menos de 30 Euros, se não fosse um pequeno incidente. Aliás, um pequeno incidente duas vezes. E um incidente bem molhado. Chego já lá.
Na verdade, o fim de semana começou sexta-feira aqui em Ghent, depois da formatura da pós do Stefan. Conhecemos um bar irlandês, atravessamos o red light district de Ghent (versão da rua em Amsterdã onde mulheres ficam à venda nas vitrines), tomamos cerveja num bar onde tem uma cerveja servida num copo de mais de um litro, que pra tomar é preciso deixar um pé do sapato como caução, e fica literalmente pendurado lá até você devolver o copo gigante. Também passamos no Overpoort, uma das ruas mais movimentadas pelos alunos da Universidade de Ghent, mas que agora já anda meio vazia por causa das férias.
A Cíntia, a Amanda e a Carla vieram dormir aqui em casa pra sairmos de carro juntas, no sábado, pra Luxemburgo, a capital do país de mesmo nome. Digo isso porque aqui na Bélgica também tem um distrito chamado Luxemburgo, que tem como capital a cidade de Arlon.
Confesso que eu não tinha lá tanta curiosidade pra conhecer Luxemburgo, mas achei muito lindo. Realmente eu me surpreendi. É uma beleza diferente, com construções antigas e pontes cortando os vales. Sem contar que lá tem muito verde. Mas também é forte o contraste com um lado mais moderno da cidade.
Luxemburgo é conhecido por ser um país cheio de bancos. As taxas lá são mais baixas que a média, e gente do mundo todo quer ter uma conta por lá. Também se comenta muito que os belgas que moram perto da fronteira vão pra lá frequentemente pra abastecer o carro. Mas tirando isso, a impressão que se tem é que é um país com custo de vida bem alto. Minha fonte foi o Stefan, que já morou por lá.
Algumas horas depois de chegarmos na cidade, nós nos encontramos com o Urs, que foi nosso host pelo CouchSurfing. Já contei aqui a experiência estranha que tivemos do CS em Bratislava, mas na verdade tive muito mais experiências positivas. À medida que tirar o atraso daqui do blog, vocês vão entender o porquê. O Urs é alemão e atualmente mora e trabalha em Luxemburgo. Ele nos levou pra um passeio a alguns pontos bem bonitos da cidade. Em casa, preparou uns drinks de maçã com canela, deliciosos!
O hobby dele é cozinhar. O meu deve ser degustar, pra não dizer me esbanjar. Bem prestativo mesmo nosso host, sempre com a melhor das intenções. O único defeito mesmo foram alguns comentários, se me lembro bem das palavras: ”aqui em Luxemburgo eu não costumo beber água da torneira, acho que não faz bem. Mas vocês já devem ser resistentes”; e “passeio de caiaque no Brasil deve ser mais emocionante que aqui, por causa dos jacarés”. No comments.
Depois da nossa festinha particular bem divertida na casa dele, com direito a dancinhas da Amanda e da Carla, fomos conhecer a noite da cidade. E aqui me lembro de outro detalhe importante. Luxemburgo tem muitos imigrantes. E uma parte significativa é de portugueses. Por isso não foi difícil encontrarmos pessoas nas ruas que nos ouviam e respondiam, em português.
Mas o caso mais curioso foi quando estávamos no ônibus, indo pra região dos bares. A gente cantando Faroeste Caboclo no ônibus, até um portuga que aparceu no caminho ajudando, e de repente um homem entra no ônibus, nos escuta e fala que ali não deveríamos falar em português! Já pensou? Não demos bola e continuamos a música, mas o cara ficou bravo. Ficava resmungando e chegou até a fazer gestos obscenos com o dedo médio! De repente deu um medo! Nunca imaginei encontrar xenófobos em Luxemburgo! Ainda bem que a nossa parada já tinha chegado. Acabamos escolhendo um bar brasileiro, que tocava salsa. Tá explicado por que os europeus acham que a salsa vem do Brasil. Mas sejamos justos, tocou lambada também. E a Amanda e a Carla arrasaram.
No domingo, subimos pra encontrar a Quel e explorar a região dos Ardennes, no sul da Bélgica, em passeio de caiaque no rio Lesse. Vale a pena! Apreciamos paisagens lindas, cantamos, rimos, nos machucamos, e tivemos medo. Foi a primeira vez pra todas, e não recebemos nenhuma instruçãozinha básica de como manobrar os barquinhos. Fizemos a rota de 12 quilômetros, em um caiaque pra três pessoas, outro pra duas. O caiaque em que eu tava nunca andava reto. Ou virava prum lado, ou pro outro. E sempre encalhava nas pedras. E sempre a correnteza nos virava de costas e íamos lá, as malucas, esbarrando nos outros caiaques.
No caminho, algumas surpresas, como um castelo medieval, algumas rochas emocionantes e, detalhe importante, duas cascatas. Sim, por isso eu disse no início dos dois incidentes. Porque nas duas cachoeirinhas, o caiaque virou! Seria até super divertido se não tivéssemos perdido tantas coisas que tavam dentro do caiaque, como toalhas, calça, chinelos, óculos de sol e até celular e câmera fotográfica! Sim, meu celular (que na verdade era dos chefes) e minha câmera novinha tavam lá dentro, e agora não ligam mais. Mas sim, foi divertido, apesar de tenso.
Outros furos: meu barco ficou pra trás depois do segundo incidente, mas não tínhamos como nos comunicar com as meninas do outro barco. Então paramos num oásis no meio do caminho pra comer batata frita, mas não nos tocamos que as meninas, lá na frente e também com fone, estavam sem a grana, porque tudo tava dentro do nosso caiaque! Pegamos chuva pesada na reta final, chegamos com duas horas de atraso, e o barco bem mais leve. Mas as meninas que tavam na frente também conseguiram virar o caiaque, e pior, paradas, quando tavam encalhadas numa das pedras! E quando pediram ajuda pra outros caiaqueiros, a resposta foi “Não é nosso problema”. Não tínhamos pensado na volta dos 12 quilômetros pro carro, sem o caiaque. À pé, depois daquela jornada, seria impossível. Ainda mais com chinelos a menos. Esperamos então mais de uma hora pra podermos pegar um trem. Por sorte, a chave do carro não se perdeu junto com as outras coisas na virada do barco.
Saldo até agora: -35 Euros do celular novo. A notícia, ainda tem que ser dada aos chefes. As fotos no chip da câmera, acho que recuperei. Quando publicar no álbum eu aviso. A câmera em si, mistério ainda. Foi por causa da au pair que não soube remar.