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A versão dele

Como não conheci Amsterdã

Por Leonardo

Bom… eu sei q não sou bom com essas coisas de blog… a necessidade de postar que a coisa pede não se encaixa bem comigo…

Bom… mas continuando… Assim que chegamos passamos em casa para deixar minhas coisas e fomos para Bruxelas… de cara 1 milhão de coisas diferentes… do pagamento do estacionamento à chave da porta… :P

A partir daí percebi que tinha 1 milhão de tipos de cervejas que iria provar durante toda a viagem… tb a promessa de anotar tds os nomes (promessa que não cumpri, obviamente :P). Então fomos a Bruxelas e lá demos nossa primeira volta…. que surpresa logo de cara acontece: PATOS ANDANDO EM FILA GUIADOS POR UM MÚSICO! Como pode isso? Até os patos são tão obedientes assim?!

Visitamos a Grand Place de Bruxelas, muito bonita! O famoso menininho do xixi (PIRU PEQUENO! PIRU PEQUENO! :P). Tem tb a menininha… mas aí não conheci, só a Patrícia depois.

Após essa pequena volta pelo centro de Bruxelas fomos para o festival (de quê? Não sei dizer… sei q sempre tem festivais :P). No caminho paramos pra comer frituur, uma comida típica lá… equivalente aos nossos sebosões da vida… só que, infelizmente, mais gostoso. São batatas fritas com molhos diferentes… podem acompanhar salsicha, hambúrguer, essas coisas… delícia!

Até que então vamos para o parque onde está havendo o festival… no caminho uma parada na fonte cheia de espuma… um casamento de uns africanos estava acontecendo… e eles resolveram colocar espuma na fonte! Bem legal… vcs devem ter visto a foto no Picasa. No caminho… vinho…

O ambiente do festival super legal… me lembrou a época que jogava RPG… uma floresta gigante… e o som que a príncipio estava chato… melhorou e muito com a Gipsy Queen… é… lá eles adoram música cigana….

Obviamente, não podia faltar cerveja em festa belga… a tal da pintje… até a terceira eu não tinha coragem de pedir com medo da língua… da terceira em diante ficou fácil fácil…

Uma das coisas mais díficeis de aceitar nessa viagem foi: ter que pagar para usar o banheiro. E no primeiro dia, regado a várias pintjes, como minhas finanças iriam sobreviver tendo que pagar algo em torno de 1 real e 50 centavos a cada ida no banheirooo?!?!?! Acabei tendo que improvisar na quarta vez que deu vontade… :P

Os belgas não se mexeram o dia inteiro… até começar a música cigana… mas o mais legal foi vê-los dançar músicas medievais… pareciam nordestinos com forró, cariocas com samba… muito legal! :D

Conselho número 1: nunca ande de bicicleta depois de tomar pintjes! Foi o que inventei de fazer qnd estávamos voltando… logo, o que aconteceu? Queda! :P

Conselho número 2: Nunca aceite a proposta de um gringo de tomar cachaça depois de algumas pintjes. Vc pode deixar de conhecer Amsterdã por causa de ressaca! :P

Bom… perdi de conhecer Amsterdã… mas muita coisa boa aconteceu no decorrer da viagem…

Black high tech

 Eles têm um ponto fraco.

Desde o início do verão, parece que a Terra deu meia volta por aqui. Inverteu o sentido. Ao invés de crescer, os dias diminuem. A noite, que chegava de vez lá pras 23h, agora já começa a dar sinais a partir das 21h. E cada dia está mais escuro de manhã, quando acordo. Mas hoje, o motivo da escuridão foi outra. Apagão, mesmo.

blackout

Tudo bem, acontece nas melhores famílias, pensei, enquanto tomava meu primeiro susto. Não consegui entrar na casa deles porque a porta, que abre com identificação pela impressão digital, claro que não funcionava. Nesse frio e escuridão, vamos lá, coragem, existe a chave pra esses casos, e ela tem que estar em algum lugar.

Mas o segundo desafio seria mais difícil de driblar. Como descongelar o pão pro café da manhã sem micro-ondas(olhaê, novas regras ortográficas!)? No forno, sim, claro! Isso se o forno também não fosse totalmente elétrico. E até o fogão. Isso significa que as crianças vão ter que tomar leite gelado nesse frio? Como o Peter vai sobreviver sem o café expresso dele, feito na cafeteira elétrica embutida no armário?

Enquanto todos ainda dormiam, minha imaginação ia longe. Nenhum mortal consegue tomar banho gelado nesse frio, mas se bem que um dia sem banho não seria grande problema pra eles. Mas e os aquecedores? Ainda bem que não era frio insuportável de inverno… De repente me deparei com o problema mais triste do apagão na casa high tech. Balthazar, nosso Garfield gordo e preguiçoso, tava todo molhado e morrendo de frio. Ele ficou trancado a noite toda fora de casa, pegando chuva, porque a portinha dele só abre com a identificação do chip que o pobrezinho tem debaixo da pele, e esse sisteminha também não funcionou no apagão!

Eu poderia passar o dia todo constatando a nossa impotência nessa casa high tech sem energia. Mas aí o Peter acordou e estragou minha diversão. Descobriu que o problema foi um curto-circuito, e que hoje à noite a diversão vai ser procurar qual equipamento foi danificado. Ainda bem que meu notebook tá aqui, inteirinho. Sem ele, impotente seria eu.

Coisinha boba, mas que me fez ficar pensando… como pode, a essa altura da “evolução” humana, sermos tão dependentes assim de energia? Tomara que nossas excelências aí no Brasil pensem em investir um pouquinho do lucro do pré-sal em energias alternativas, ao invés de se inspirarem nos governadores de Pernambuco e do Rio, discutindo quem vai ficar com o bolo, antes mesmo da festa.

Ele dormiu o dia inteiro pra compensar a noite na chuva

Ele dormiu o dia inteiro pra compensar a noite na chuva

Workaholic, eu?

Talvez. Trabalhar três finais de semana seguidos, por escolha própria, não é tão ruim assim se você gosta. Mas não estou falando de aturar choro e birra de criança. O trabalho nos dias de folga é bem mais produtivo. Começa com a pesquisa sobre um tema – sempre novo pra mim. Preparando as pautas, tenho aprendido coisas novas sobre a Bélgica. Depois, ir pra rua conversar com as pessoas, observar o movimento, registrar as novidades. Assim, com as minhas reportagens, estou descobrindo muito mais sobre a cultura e história do meu país hospedeiro. Aqui vai a matéria que fiz no fim de semana passado. Vejam só!

 

Flamengos expressam causa separatista em evento pela valorização de Flandres

Atletas, crianças, amadores, idosos e deficientes físicos, todos pedalaram juntos ao redor de Bruxelas

Atletas, crianças, amadores e idosos pedalaram juntos ao redor de Bruxelas

Cerca de 86 mil pessoas pedalaram neste domingo ao redor de Bruxelas em prol da valorização da cultura flamenga. O Gordel, como ficou conhecido, é um evento anual que, desde 1981, reúne ciclistas e pedestres no chamado cinturão verde da Bélgica. A área abrange os municípios da periferia de Bruxelas pertencentes à região administrativa de Flandres. O passeio tem caráter sócio-esportivo, mas é principalmente reconhecido pela mensagem política que divulga, de afirmação da região de Flandres.

Os participantes puderam escolher entre oito percursos diferentes destinados a ciclistas, pedestres, motociclistas e deficientes físicos. Os trajetos passaram pelos municípios de Sint-Gensius-Rode, Dilbeek, Zaventem, Overijse e Oudenaarde, somando mais de 800 quilômetros.

As bicicletas ocuparam o lugar dos carros nas ruas de Zaventem, cidade de 28,6 mil habitantes. Durante o evento, amarelo e preto – cores de Flandres – predominaram na decoração da cidade. Os moradores exibiram suas bandeiras nas janelas e pontos comerciais, distribuíram bexigas com slogan da região, vestiram camisetas em homenagem a Flandres e colaram nas roupas adesivos com o leão da bandeira flamenga.

Políticos aproveitaram o evento para divulgar suas causas. O ministro-presidente flamengo Kris Peeters esteve presente e falou em favor da divisão do distrito eleitoral de Bruxelas-Halle-Vilvorde (BHV). Já o ex-ministro para assuntos internacionais Geert Bourgeois pediu apoio de todos os partidos flamengos ao projeto de lei que prevê a divisão do distrito eleitoral.

O distrito eleitoral de BHV não respeita os limites regionais e linguísticos entre Flandres e Bruxelas, o que permite que candidatos francófonos se candidatem a cargos políticos nos municípios flamengos de Halle e Vilvoorde. Daí a proposta dos partidos flamengos de divisão do distrito eleitoral em dois: Bruxelas e Halle-Vilvoorde, que se juntaria à Lovaina. O objetivo é que os municípios flamengos da periferia de Bruxelas possam votar apenas em listas flamengas.

Tradicionalmente, o passeio em prol da valorização de Flandres é alvo de sabotagem atribuída a grupos francófonos. São recorrentes armadilhas nos trajetos, como a troca da sinalização para confundir os participantes e pregos espalhados nas vias para furar os pneus das bicicletas. Este ano, as armadilhas foram registradas principalmente nas cidades de Crainhem e Wezembeek-Oppem.

Para Sam Ganssens, representante da organização do Gordel e funcionário do Bloso – órgão encarregado pela pasta de esportes na região de Flandres – apesar do caráter político do evento, a proposta não é instigar as vozes separatistas. “Existem os fanáticos que vêm se expressar, mas este não é o nosso objetivo”, declarou.

A dona de casa Ann Eliese, 35, fez um circuito de bicicleta de 25 quilômetros com o pai, o marido e os quatro filhos. Ela mora em Zaventem e participa do evento quase todos os anos. “Devemos nos orgulhar de estarmos em Flandres”, diz a moradora que, apesar de não querer a separação política de Flandres, acha importante que a região flamenga tenha autonomia para tomar suas próprias decisões políticas.

 Separatismo

Questionado se se sente culturalmente mais próximo aos vizinhos holandeses, que partilham uma língua comum, ou aos valões, no sul do seu próprio país, o flamengo hesita. “Eu me sinto flamengo”, afirma o empresário aposentado Jan Stas, 55.

Com uma bandeira de Flandres inscrita na bandeira da União Europeia, Jan Stas é um dos que aproveita o Gordel para divulgar as ideias separatistas para Flandres. “Com essa bandeira, quero dizer que Flandres é um país da União Europeia”, disse.

Ele conta que há dez anos participa do evento. Justifica a causa separatista comparando dados sócio-econômicos que favorecem a região flamenga, mais rica e que, segundo ele, arca com os prejuízos dos altos índices de desemprego da Valônia, por meio dos auxílios-desemprego repassados pelo governo.

Separados pela barreira da língua, valões e flamengos convivem com rivalidade e sentimentos separatistas no país de 10,6 milhões de habitantes (menos que a cidade de São Paulo). Mas não é só o idioma que divide a Bélgica. As diferenças culturais e econômicas datam desde a formação histórica do país, uma monarquia constitucional que reúne dentro da mesma fronteira as regiões de Flandres, Valônia e Bruxelas, com três idiomas oficiais: holandês (Flandres), francês (Valônia e Bruxelas) e alemão (sul da Valônia).

Reportando

Depois do curso de correspondente internacional em Praga (ainda vou falar mais dele, no final do mochilão), resolvi colocar a mão na massa. O primeiro trabalho como correspondente foi pra Folha Online, e você pode ler clicando aqui. Também rendeu uma segunda versão pro site OperaMundi. Era sobre uma dança em massa, em defesa do meio ambiente, na praia de Ostende. Iniciativa de um cineasta belga e de ONGs, como o Greenpeace.

Foi muito legal fazer a matéria. O evento, super organizado. Cheguei lá e já tinha meu nome na listinha, inclusive com os horários em que eu iria entrevistar cada pessoa. Recebi a pastinha e a credencial pra poder chegar perto do palco e tirar fotos. Conheci jornalistas belgas de TV e impresso. Mas o mais legal foi ver aquele formigueiro de gente em passos sincronizados, que eu duvidei que seria possível quando começaram. E não é que conseguiram?

Já tenho uma listinha com algumas ideias pras próximas pautas. Claro que a ajuda dos amigos aqui tá sendo bem importante. A Paula, por exemplo, é uma pauteira de primeira. E agora que ela tá ficando com um belga, as sugestões vêm embasadas por um olhar nativo. Muito bom! Mas  pode ser que daí, de longe, vocês consigam ver coisas que não conseguimos daqui. Se tiverem alguma sugestão de pauta, ideias de temas para eu fazer uma matéria, avisem!

Depois de um dia de trabalho, quase esqueci de registrar minha passagem pela praia belga de Ostende

Depois do dia de trabalho, quase esqueço de registrar a passagem por Ostende

Ainda mochilando

 

 

 

No primeiro dia em Bruxelas, a fonte do Atomium espumada

No primeiro dia em Bruxelas, a fonte do Atomium espumada

 

 

Aquecendo

Por Patrícia

Ele só esqueceu de contar um detalhe. Quase que a carta-convite assinada pela chefe não sai e por pouco ele não fica sem o único documento que foi necessário pra entrar na Europa. E pior, por culpa minha. Ainda com as lembranças fresquinhas sobre a rejeição em massa de vistos a brasileiros na Espanha, o Leonardo procurou tomar todas as precauções necessárias – e desnecessárias também. Certo ele. De cima da minha auto-confiança, menosprezei a carta que ele me pedia. “Ah, não se estressa, você já tem comprovante de todos os albergues, passagens, grana…”, eu dizia. Até que a Annick sugeriu escrever a carta. Por 2 x 1, eles ganharam. Ainda bem.

Como não poderíamos perder tempo, deixamos as malas, cansaço, sono, preguiça, diferença de fuso-horário, tudo em casa e pegamos o trem de volta pra Bruxelas. A programação, um dos tantos festivais, que acontecem por lá a cada fim de semana. Dessa vez, era de música folk. Mas folklórico mesmo foi o lugar. Uma florestinha enlamaçada, a tarde escura da cidade eternamente nublada sendo iluminada por umas luzinhas coloridas.

Deu pra o visitante se iniciar nas tão famosas cervejas belgas. Quem dera tivesse ficado só com elas. Não sei o que dá em um brasileiro que, em primeiro dia de exterior, resolve provar uma cachacinha mineira. Deve ter sido só por educação, pra acompanhar o belga Philippe, que com a Iana forma o casal gente finíssima que nos recebeu em Bruxelas. Resultado, viagem pra Amsterdã no dia seguinte cancelada por motivos de ressaca maior.

Mais fotos do mochilão em Bruxelas aqui.

Dois meses depois…

Estou de volta. E com algumas novidades. A primeira é que eu e o Leonardo vamos contar juntos aqui, aos poucos, como foi o mochilão que fizemos nas férias de julho. Os textos vão ser alternados, meus e dele. E hoje, é ele quem começa:

 

Natal – Bruxelas

Por Leonardo

Bom, nunca fui bom de escrever textos mas tenho histórias pra contar. E foram bastantes. É díficil saber por onde começar, mas vou tentar começar pela minha chegada. Uma chegada há muito esperada. No avião foi td muito tranquilo. A viagem por cima do Oceano é meio chata, vc não tem nada pra ver pela janela, então fui dormindo e vendo filme, vendo filme e dormindo em qqr ordem.

Quando cheguei em Portugal tive que pegar uma fila enooorme da imigração. Todos os documentos em mãos (algo em torno de 50 folhas de papel :P) e brasileiros conversando o tempo todo (brasileiros estão em todos os lugares…todos!). Minha conexão pra Bruxelas tinha o embarque às 9:20 da manhã, estava eu na fila às 8:40 mais ou menos. A fila andava a passo de tartaruga e td que eu ouvia era a história de uma moça (?) que estudava (?) enfermagem e estava indo casar com um italiano e os guardinhas gritando: “PASSAGEIROS COM LIGAÇÕES! PASSAGEIROS COM LIGAÇÕES PARA ITÁLIA, LONDRES, FRANÇA, E TODO PAÍS DA EUROPA MENOS BÉLGICA!!!”

O tempo ia passando e a fila pouco andava. Até que quando faltavam 10min pro meu embarque e 15 pessoas na minha frente pedi: “PESSOAL, EU PODIA ESTAR ROUBANDO, PODIA ESTAR MATANDO, MAS EU SÓ QUERIA PEDIR A TODOS VCS Q EU PUDESSE PASSAR NA FRENTE POIS MEU EMBARQUE É DAQUI A 10MIN!!!!” Todos foram educados comigo e aceitaram que eu furasse aquela fila que quase não andava.

Fui eu para o guichê da imigração com meus 500 documentos: identidade, CPF, carteira de motorista, diploma do ensino médio, técnico, superior, carteira de trabalho, carteirinha do cineclube, declaração da empresa, comprovante de renda, declaração de imposto de renda, passagens de volta e de todos os trechos q iria fazer nestes 20 dias, albergues reservados em cada cidade, e mais milhares de coisas… dentre todas elas uma cartinha da chefe da Patrícia dizendo q eu estava indo visitá-la.

E quando o simpático sr. do guichê pergunta o que eu estava indo fazer lá… respondo eu: estou indo visitar minha namorada que mora na Bélgica. E O ÚNICO DOCUMENTO QUE ELE ME PEDIU FOI A CARTA QUE A ANNICK RESOLVEU ESCREVER 2 DIAS ANTES DA MINHA SAÍDA!!!!! Toda akela papelada, 50 folhas de papel, 500 documentos à toa!!!! (Aproveito o espaço pra agradecer a Annick novamente pela carta, facilitou muito minha entrada).

Ao menos passei… fui correndo para o portão de embarque… quando chego lá: NADA NA TELA! E AGORA? Ainda bem que eu estava em Portugal e não Madri, então pude perguntar para uma funcionária q me indicou o portão correto. A saída atrasou em quase 1hr (não é só no Brasil que tem o tal de CAOS :P). Mas consegui chegar e dar aquele abraço que se dá quando a saudade é grande. Bom… essa foi minha chegada… muita coisa ainda aconteceu neste dia… esse é só o começo…

Vacantie

Au pairs, mães, avós, tias e demais experientes com crianças,

Como sobreviver às férias escolares? Detalhe importante: numa família em que as crianças não podem ver televisão, usar o computador ou videogame, nem dormir de dia. Eu tenho tentado de tudo. Pintar com tinta guache, imprimir desenhos pra colorir, fazer bolinhas de papel crepom pra colar, brincar de Lego, de casinha. Se não chove, brincar com a bola no quintal, de esconde-esconde no jardim, na cama elástica ou quem sabe até na piscina.

Mas a Kato não consegue ficar 10 minutos na mesma atividade! Levo mais tempo preparando a mesa pra ela pintar, com jornais e capa pra proteger a roupa, abrindo as tintas, cortando as folhas, separando os pinceis do que ela passa pra fazer dois traços e dizer que basta.

Blaarmeersen = parque + clube + praia + lagoa

Blaarmeersen = parque + clube + praia + lagoa

Semana passada, no primeiro dia de férias, fui com a Carla (minha amiga au pair que mora em Ghent) e as crianças pro Blaarmeersen, uma mistura de praia, parque, clube e lagoa. Andamos de padalinho, fizemos castelo de areia, os pequenos tomaram banho de lagoa. Tava fazendo sol, e aquilo ficou lotado, um piscinão de Ramos.

Kato brincanco Blaarmeersen

Kato brincando no Blaarmeersen

No dia seguinte, fomos pro Play Beach, um playground fechado, com pula-pula, piscina de bolinhas, túneis, escorregador e tudo mais. Tomamos sorvete, e os pequenos brincavam enquanto eu e a Carla jogávamos baralho. Boa estratégia.

Já na sexta-feira, fomos pra praia de verdade. A família da chefe tem um apartamento em Blankenberge, uma cidade no litoral. Conheci a praia belga, mas o Mar do Norte não tava me convidando pra tomar banho. E ventava muito. A cidade é bem interessante e muito bem cuidada. Não é a praia mais popular (essa é Oostende) nem a mais grã-fina (essa é Knokke), mas é ideal pra programação em família. Em frente ao apartamento deles, tem uma grande praça cheia de opções de lazer, como cama elástica, mesas de sinuca, pistas de kart, golf, petanca (um esporte bem popular por aqui) e muito verde. Claro que não é lá uma praia brasileira, mas tem mar, areia, calçadão e cadeiras de sol. Só não gostei das centenas de armários que ficam na areia pra alugar, onde as pessoas guardam coisas tipo barcos, guarda-sol, cadeiras, e qualquer coisa que costumem usar na praia. O ruim é que atrapalha completamente a visão do mar pra quem está no calçadão. Reparem na foto:

Minha primeira praia belga

Minha primeira praia belga

Fui com a Kato pra praia, e a primeira coisa que ela fez foi jogar a bola pra cima, daquelas bem leves, de plástico. Resultado: a bola voando pra um lado, a Kato chorando pro outro. Larguei a bolsa no chão e fui correndo atrás da bola. Todo mundo olhava a bola chegando e passando, e ninguém teve a brilhante ideia de me ajudar. Depois de vários minutos correndo, quase perdendo a Kato de vista, escolhi perder a bola, ao invés de perder a menina.

Rolando na praia

Kato à milanesa

Ela ficou na praia até ontem. Mas e agora, o que fazer? Talvez um zoológico com um pic-nic. Mas hoje o dia tá muito feio. Penso em fazer brinquedos com material reciclado. Temos isopor, potinhos de iogurte, um monte de coisas. Mas ela não curtiu muito o chocalho que eu fiz. Quando eu era criança, todos os dias, no programa da Eliana, ela ensinava a fazer alguma coisa manual, mas não me lembro mais de nada. Então preciso de outras ideias. Sugestões de entretenimento pra uma pequena de 3 anos são bem vindas. E urgentemente.

Em breve, mais fotos do Blaarmeersen e da praia no meu álbum. Só não reparem que no Blaarmeersen a gringa era eu, a única de calça jeans na areia. É que quando saímos de casa ainda não tinha certeza de qual seria o destino!

VOCABULÁRIO
Vacantie: férias!

Tirando o atraso

Pois é, nesses últimos tempos a correria foi tão grande, que quando eu tinha tempo livre saía correndo pra passear, ao invés de ficar no pc escrevendo no blog ou atualizando as fotos. O curso de holandês acabou mesmo com minhas horinhas de folga. Depois tive que escrever três pautas pro curso de correspondente internacional que vou fazer em Praga, no final de julho. Também organizando as coisas do mochilão com o Leonardo: passagens, albergues, roteiros…

Por isso, muita coisa foi acontecendo e ficando pra trás, mas ainda quero escrever sobre todas elas. Vou tentar fazer isso essa semana, já que sábado o Leonardo chega aqui, e aí vamos passear tanto que não vai sobrar tempo mesmo pro pc! Mas não vai ser fácil, porque agora a Kato entrou de férias, e terei que dedicar mais tempo a ela. Sem contar que estou na pesquisa de couchsurfing pro mochilão. Vamos fazer: Paris, Roma, Londres, Berlim, Budapeste e Praga. Também sobre as fotos. Publiquei algumas de Luxemburgo e dos Ardennes no meu álbum. Depois vou acrescentar de outras cidades, e as fotos tiradas com as outras câmeras do grupo.

É bom voltar a escrever por aqui :)

O fim de semana “Luxemburgo + passeio de caiaque nos Ardennes” teria saído por menos de 30 Euros, se não fosse um pequeno incidente. Aliás, um pequeno incidente duas vezes. E um incidente bem molhado. Chego já lá.

Na verdade, o fim de semana começou sexta-feira aqui em Ghent, depois da formatura da pós do Stefan. Conhecemos um bar irlandês, atravessamos o red light district de Ghent (versão da rua em Amsterdã onde mulheres ficam à venda nas vitrines), tomamos cerveja num bar onde tem uma cerveja servida num copo de mais de um litro, que pra tomar é preciso deixar um pé do sapato como caução, e fica literalmente pendurado lá até você devolver o copo gigante. Também passamos no Overpoort, uma das ruas mais movimentadas pelos alunos da Universidade de Ghent, mas que agora já anda meio vazia por causa das férias.

 A Cíntia, a Amanda e a Carla vieram dormir aqui em casa pra sairmos de carro juntas, no sábado, pra Luxemburgo, a capital do país de mesmo nome. Digo isso porque aqui na Bélgica também tem um distrito chamado Luxemburgo, que tem como capital a cidade de Arlon.

Confesso que eu não tinha lá tanta curiosidade pra conhecer Luxemburgo, mas achei muito lindo. Realmente eu me surpreendi. É uma beleza diferente, com construções antigas e pontes cortando os vales. Sem contar que lá tem muito verde. Mas também é forte o contraste com um lado mais moderno da cidade.

Luxemburgo é conhecido por ser um país cheio de bancos. As taxas lá são mais baixas que a média, e gente do mundo todo quer ter uma conta por lá. Também se comenta muito que os belgas que moram perto da fronteira vão pra lá frequentemente pra abastecer o carro. Mas tirando isso, a impressão que se tem é que é um país com custo de vida bem alto. Minha fonte foi o Stefan, que já morou por lá.

Algumas horas depois de chegarmos na cidade, nós nos encontramos com o Urs, que foi nosso host pelo CouchSurfing. Já contei aqui a experiência estranha que tivemos do CS em Bratislava, mas na verdade tive muito mais experiências positivas. À medida que tirar o atraso daqui do blog, vocês vão entender o porquê. O Urs é alemão e atualmente mora e trabalha em Luxemburgo. Ele nos levou pra um passeio a alguns pontos bem bonitos da cidade. Em casa, preparou uns drinks de maçã com canela, deliciosos!

O hobby dele é cozinhar. O meu deve ser degustar, pra não dizer me esbanjar. Bem prestativo mesmo nosso host, sempre com a melhor das intenções. O único defeito mesmo foram alguns comentários, se me lembro bem das palavras: ”aqui em Luxemburgo eu não costumo beber água da torneira, acho que não faz bem. Mas vocês já devem ser resistentes”; e “passeio de caiaque no Brasil deve ser mais emocionante que aqui, por causa dos jacarés”. No comments.

Depois da nossa festinha particular bem divertida na casa dele, com direito a dancinhas da Amanda e da Carla, fomos conhecer a noite da cidade. E aqui me lembro de outro detalhe importante. Luxemburgo tem muitos imigrantes. E uma parte significativa é de portugueses. Por isso não foi difícil encontrarmos pessoas nas ruas que nos ouviam e respondiam, em português.

Mas o caso mais curioso foi quando estávamos no ônibus, indo pra região dos bares. A gente cantando Faroeste Caboclo no ônibus, até um portuga que aparceu no caminho ajudando, e de repente um homem entra no ônibus, nos escuta e fala que ali não deveríamos falar em português! Já pensou? Não demos bola e continuamos a música, mas o cara ficou bravo. Ficava resmungando e chegou até a fazer gestos obscenos com o dedo médio! De repente deu um medo! Nunca imaginei encontrar xenófobos em Luxemburgo! Ainda bem que a nossa parada já tinha chegado. Acabamos escolhendo um bar brasileiro, que tocava salsa. Tá explicado por que os europeus acham que a salsa vem do Brasil. Mas sejamos justos, tocou lambada também. E a Amanda e a Carla arrasaram.

No domingo, subimos pra encontrar a Quel e explorar a região dos Ardennes, no sul da Bélgica, em passeio de caiaque no rio Lesse. Vale a pena! Apreciamos paisagens lindas, cantamos, rimos, nos machucamos, e tivemos medo. Foi a primeira vez pra todas, e não recebemos  nenhuma instruçãozinha básica de como manobrar os barquinhos. Fizemos a rota de 12 quilômetros, em um caiaque pra três pessoas, outro pra duas. O caiaque em que eu tava nunca andava reto. Ou virava prum lado, ou pro outro. E sempre encalhava nas pedras. E sempre a correnteza nos virava de costas e íamos lá, as malucas, esbarrando nos outros caiaques.

No caminho, algumas surpresas, como um castelo medieval, algumas rochas emocionantes e, detalhe importante, duas cascatas. Sim, por isso eu disse no início dos dois incidentes. Porque nas duas cachoeirinhas, o caiaque virou! Seria até super divertido se não tivéssemos perdido tantas coisas que tavam dentro do caiaque, como toalhas, calça, chinelos, óculos de sol e até celular e câmera fotográfica! Sim, meu celular (que na verdade era dos chefes) e minha câmera novinha tavam lá dentro, e agora não ligam mais. Mas sim, foi divertido, apesar de tenso.

Outros furos: meu barco ficou pra trás depois do segundo incidente, mas não tínhamos como nos comunicar com as meninas do outro barco. Então paramos num oásis no meio do caminho pra comer batata frita, mas não nos tocamos que as meninas, lá na frente e também com fone, estavam sem a grana, porque tudo tava dentro do nosso caiaque! Pegamos chuva pesada na reta final, chegamos com duas horas de atraso, e o barco bem mais leve. Mas as meninas que tavam na frente também conseguiram virar o caiaque, e pior, paradas, quando tavam encalhadas numa das pedras! E quando pediram ajuda pra outros caiaqueiros, a resposta foi “Não é nosso problema”. Não tínhamos pensado na volta dos 12 quilômetros pro carro, sem o caiaque. À pé, depois daquela jornada, seria impossível. Ainda mais com chinelos a menos. Esperamos então mais de uma hora pra podermos pegar um trem. Por sorte, a chave do carro não se perdeu junto com as outras coisas na virada do barco.

Saldo até agora: -35 Euros do celular novo. A notícia, ainda tem que ser dada aos chefes. As fotos no chip da câmera, acho que recuperei. Quando publicar no álbum eu aviso. A câmera em si, mistério ainda. Foi por causa da au pair que não soube remar.

Família procura

Au pair brasileira pra cuidar de um menino de 5 anos, aqui em Ghent. A família fala português porque a mãe é angolana. Foi o pai quem me escreveu perguntando se eu ainda estava à procura. Quem quiser mais detalhes levanta a mão.

P.s.: estou devendo um post mais detalhado sobre o programa de au pair, que alguns me pediram. Agora que curso de holandês terminou, vou poder respirar mais e voltar a atualizar o blog. Se bem que já tenho três pautas pra enviar pro instrutor do curso de correspondente internacional em Praga. Mas aguardem, contarei as novidades logo, logo.

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